domingo, 5 de dezembro de 2021 08:14

Escritora desde os sete anos de idade, Izabelle Domingos é um dos talentos da Rede Estadual de Pernambuco

Adolescente, que hoje cursa o 2º ano do Ensino Médio, é inspiração na EREM Luiz Rodolfo de Araújo Júnior



Carina Cardoso - 21/10/2021 09:35h



Izabelle Domingos, estudante do 2º ano do Ensino Médio da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Luiz Rodolfo de Araújo Júnior, situada em Abreu e Lima, Região Metropolitana do Recife, tem uma lembrança afetiva do poema “Uma palmada bem dada”, de Cecília Meireles. Quando pequena, sua mãe o recitava, comparando-a à personagem que gosta de nada. Mais do que lembrança, Izabelle demonstra ter uma leve semelhança com a menina: a personalidade forte aliada à identidade já construída aos 16 anos de idade.

 

A estudante pode ser considerada uma aluna destaque da unidade de ensino, segundo a gestão. Escritora nata, ela encanta com os poemas que falam de amor, desilusões, desigualdades sociais, e do mundo. Mas nem sempre foi assim. Izabelle foi alfabetizada praticamente em casa, pelo irmão mais velho, e aos sete anos começou a recontar as histórias que ouvia do primogênito da família. Com o passar dos anos, na escola, a adolescente não se desenvolveu tanto na escola com a escrita. 

 

“Eu sempre estudei em escola privada, e lá eu não tinha tanto incentivo. Quando entrei na EREM, no ensino público, tudo mudou. Na EREM a gente é muito incentivado a produzir, a colocar em prática os nossos conhecimentos. Produzimos constantemente vídeos para os projetos da escola, textos, e trabalhamos diversas outras habilidades. Foi quando senti que evoluí bastante na escrita. Aqui eu já fui aluna protagonista, os professores sempre me incentivam a ler, a escrever poemas para abrir os eventos, e eu me sinto reconhecida e valorizada”, conta a estudante. 

 

Autora de diversos textos, Izabelle, que é filha de um porteiro e de uma técnica de enfermagem, pretende seguir carreira nas letras. Atualmente está em dúvida se quer cursar Letras ou Jornalismo, mas de uma coisa tem certeza: quer ensinar. “Eu acho libertador escrever. Quanto estou sentindo alguma coisa que está muito além, eu escrevo. É quando eu transbordo. E quero voltar para a sala de aula para ensinar. Porque ensinar é grandioso, muito importante para a sociedade. Quero ver o mundo melhorar e acabar com as desigualdades”, detalha. 

 

O talento de Izabelle foi percebido logo de cara pela professora Edileuza Rodrigues Reis, que amadrinha a adolescente incentivando-a e emprestando livros. “A escola tem um papel fundamental para que esses estudantes não se percam, pois eles estão na fase dos questionamentos, de tentarem reconhecer suas belezas, habilidades. Quando esses alunos não encontram as referências em casa, encontram na escola, nos professores. Nós temos um papel gigantesco na vida desses meninos. Izabelle sempre se destacou muito nas minhas aulas e na escola. Ela sempre teve muita consciência do mundo no qual pertence. É uma menina negra, pobre, mora numa periferia da cidade e tem um talento imenso. Ela já tem uma identidade, só falta lapidar. E é aí que entra a importância da escola”, acrescenta a professora.

 


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