terça-feira, 18 de junho de 2019 16:01

Da EREM de Olinda para o Homem da Meia Noite

Luiz Adolpho é ex-aluno da escola e atual presidente de um dos maiores blocos do País; esta reportagem é a primeira de uma série sobre grandes nomes do carnaval que saíram das nossas salas de aula



Carina Cardoso - 08/02/2019 08:40h


Créditos: Gil Menezes

Quem passa pela Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) de Olinda, situada na Rua do Bonfim, no Sítio Histórico de Olinda, nem imagina a sua relação com uma das manifestações culturais mais importantes para o povo pernambucano, que mexe com o imaginário popular e atrai gente do mundo inteiro para as ruas da cidade. Foi lá onde estudou Luiz Adolpho Alves e Silva, presidente de um dos blocos mais famosos, cheios de mistérios e venerados do país: O Homem da Meia Noite.   

 

Apesar da pompa do bloco, que tem até grife e é muito respeitado entre moradores da cidade alta, foliões e turistas, o homem que está à frente dele é a simplicidade em pessoa. Adolpho conta a história da sua vida escolar com brilho nos olhos, muito saudosismo e carinho pela EREM de Olinda. “Eu era um menino que estudou em uma escola pública do Largo do Amparo, de família simples, e que na fase adulta recebeu o título de Cidadão Olindense, virou boneco gigante nas mãos de Silvio Botelho e hoje é presidente do bloco mais idolatrado do carnaval da cidade”, conta, com sorriso largo, a sua trajetória.

 

A unidade de ensino, cujo nome na época era Escola Estadual de Olinda, ou somente “Estadual de Olinda”, como os olindenses costumam chamá-la até os dias de hoje, era referência na cidade. Saiu de lá uma das melhores bandas marciais do Estado e os melhores times de futsal e futebol, relembra Luiz. “Eu sempre fui apaixonado por esportes e lá eu me destacava. Era um tempo muito bom, de infância e adolescência sadias, amizades que carrego até hoje. Se você bater nessas casas do Sítio Histórico, a maioria dos moradores vai confirmar que estudou lá. O Estadual de Olinda era praticamente um time, uma paixão. A gente tinha orgulho de dizer que estudava lá”.

 

Além de Adolpho, quatro mulheres da sua família também passaram pelo Estadual de Olinda. “Minhas quatro irmãs. Praticamente, quase toda a família do Homem da Meia Noite estudou lá”, brinca. “E com o meu bom desempenho de atleta, ganhei bolsas de estudo para mudar para escolas privadas, mas eu não tinha coragem. Deixar os meus amigos, meus professores – que eram incríveis - e meu time? De jeito nenhum. Só cedi no último ano do Ensino Médio, por pressão da minha família, mas retornei poucos anos depois”. O ex-aluno da Rede passou a cursar Educação Física e voltou para a escola como estagiário e, anos mais tarde, prestes a se aposentar como professor, retornou para fazer parte do corpo docente da unidade de ensino, onde lecionou por três anos.

 

“Voltar na escola onde tive momentos fascinantes e me ver sentado naquelas cadeiras como aluno foi muito marcante para mim. Tenho certeza que plantei uma semente bonita no Estadual de Olinda, e o Estadual de Olinda me trouxe muitas alegrias. Hoje, por exemplo, eu não seria presidente do Homem da Meia Noite se não tivesse estudado, se não tivesse disciplina e organização. E grande parte do homem e do profissional que sou hoje foi construída na escola”, conta Adolpho, emocionado.

 

Atualmente, ele é professor de educação física da EREM Padre Francisco Carneiro, em Peixinhos, também em Olinda, e desenvolve um trabalho não só esportivo, mas de consciência, de aguçar o sentimento de pertencimento e a autoestima nos estudantes da unidade de ensino. “Eu levo a educação como algo muito sério, que não dá para brincar. Não é uma receita de bolo, é entrega. E na escola eu tento fazer com que os adolescentes se apropriem dos nossos valores culturais, que pratiquem a solidariedade, que tomem consciência de que eles podem tudo. E um dos fatores mais importantes na educação, pra mim, é a autoestima. Eu faço o possível e o impossível para integrá-los ao Homem da Meia noite como forma de fazer eles se sentirem úteis, importantes na nossa história também”, acrescenta.

 

Todo ano, quando é lançada uma nova camisa do bloco, Adolpho convida os estudantes para desfilar, além de dar a oportunidade do primeiro emprego para alguns, como o ex-aluno da EREM de Olinda, Francisco de Miranda Júnior, de 19 anos, que há um ano trabalha no escritório da sede, no bairro do Bonsucesso. “A Escola foi algo que formou a minha dignidade enquanto pessoa. E são esses valores que eu espero que essa meninada absorva. Desejo muito que esses jovens valorizem esse período tão importante na vida da gente. Que acreditem em si, que tenham sempre a autoestima lá em cima, valorizem a família e sejam apaixonados por tudo o que brota em suas comunidades, pois sem educação e sem cultura, a gente se perde no meio do caminho”, conclui Adolpho.  

 

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