segunda-feira, 22 de abril de 2019 09:57

Aprovação em universidades públicas com dedicação

Cibeli e Thiago são exemplos da juventude em desvantagem social que ascende com a educação



Assessoria de Imprensa - 04/02/2019 16:55h



Ingressar em uma universidade pública e seguir uma carreira promissora é o sonho de muitos jovens brasileiros. Realizá-lo pode se tornar quase impossível para alguns devido a desvantagem social na qual se encontram. É com muita luta diária contra todas as barreiras, privilégios de terceiros e um desejo descomunal de vencer que a juventude brasileira de classe social menos favorecida dá um passo à frente e resiste. Na última semana, as universidades públicas do País divulgaram os resultados dos aprovados e os estudantes da Rede Estadual deram um show de aprovação.

Cibeli Rainara de Oliveira tem 17 anos e concluiu o Ensino Médio na Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Jarina Maia, em João Alfredo, Agreste do Estado. Filha de uma repositora de supermercado e de um motorista, a adolescente sempre teve o desejo de cursar Direito. “Eles tinham um certo preconceito quanto a profissão, não entendiam bem, mas eu sempre tentei explicar porque não me via fazendo outra coisa”, conta. Durante todo o Ensino Médio, Cibeli focou nos estudos e colocou como meta passar em uma universidade pública, já que os pais não conseguiriam arcar um curso superior em instituição privada.

“Minha mãe sempre me motivou a estudar. Minha família não teria condições de pagar uma universidade particular, então tive que correr atrás. Perdi muitos finais de semana estudando”, detalha Cibeli. Na última semana, com o resultado da aprovação no curso de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em Recife, a adolescente conta que tudo valeu a pena.

“Eu sou a primeira pessoa da família a ingressar em uma universidade pública. Cursei o Ensino Médio em escola pública agradeço todo o suporte que a coordenação de lá deu a gente. Sem dúvidas, a escola foi fundamental nesse processo e o conselho que eu dou para os novos terceiranistas é que deem valor ao nosso ensino público e corram atrás das oportunidades que aparecem no nosso caminho”, disse a estudante, que passou na primeira etapa do PE no Campus e aguarda ansiosa o resultado da segunda.

Thiago Henrique de Lima, ex-aluno da Escola Monsenhor Arruda Câmara, situada no bairro de Peixinhos, em Olinda, sabe bem o que é lutar contra as adversidades. Criado pela mãe e pelo padrasto, o adolescente de 17 anos teve que conciliar o trabalho como Menor Aprendiz com os estudos para o ENEM. "Passei um ano e quatro meses trabalhando para ajudar em casa e para ter minha independência financeira. Era uma rotina muito cansativa, foi tudo muito difícil, mas era o meu sonho e eu não podia desistir", explica.

Com parte do salário que recebia, ajudou a pagar um cursinho pré-vestibular para complementar o ensino que a escola oferecia. "Os professores se esforçavam muito para que a gente fizesse vestibular. Ficavam no nosso pé, cobrando a nossa participação, lembrando de prazos para inscrição, pediam pra gente ficar ligado", detalha. Thiago foi aprovado em Educação Física pela UFPE e conta o segredo do resultado. "Eu fiquei muito feliz em saber da notícia. Sabia do meu potencial, mas não imaginava tal conquista no meu primeiro ENEM. Durante todo o terceiro ano do Ensino Médio eu estudei todo santo dia, além de não faltar às aulas e ao trabalho. Foi muito puxada a minha trajetória até aqui, principalmente porque a cada ano que passa fica mais difícil para um estudante de escola pública passar em uma universidade, mas a gente não pode desistir", conclui o adolescente.

 


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