terça-feira, 11 de dezembro de 2018 21:55

Humanizar para ressocializar

No mês da mulher vamos homenagear as 16 mil professoras da rede estadual de ensino contando um pouco da história da professora Elieser de Souza, que dedica seus dias para transformar a vida de reeducandos em Vitória de Santo Antão



Aline Rangel - 08/03/2018 10:00h


Créditos: Pedro Menezes

Dedicação, humanização, amor, compromisso e fé. Essas são as palavras que Elieser de Souza leva para o dia a dia de trabalho. Aos 62 anos, viúva e mãe de dois filhos, ela sai todos os dias de sua casa para coordenar o anexo I da Escola Estadual Prisional Professora Amélia Coelho, localizada na Unidade Prisional de Vitória de Santo Antão, Zona da Mata pernambucana. Com 43 anos de profissão, a professora atualmente coordena cerca de 240 estudantes e demostra emoção quando fala de cada um. Nesta matéria, a segunda da série especial do “Dia Internacional da Mulher”, vamos homenagear as 16 mil docentes da rede estadual e falar sobre o amor de uma professora pelo que faz.  

“Diretora”. É desta forma carinhosa que a coordenadora é tratada, mesmo estando na unidade há apenas um ano. Parece pouco, mas ao longo desses doze meses, Elieser mudou a realidade da escola. Ela humanizou o espaço escolar, tornando-o ambiente mais atrativo para os reeducandos. Formada em biologia, com especialização em ciências biológicas, ela escolheu seguir o caminho de educadora por se identificar com a profissão e ter a certeza de que mudaria a vida de muitas pessoas. “Trabalhar com aluno é muito gratificante, me identifico demais em uma sala de aula, trabalho com a conquista, mostrando a eles a responsabilidade que eles têm no aprender e no fazer”, declara.

Na escola prisional não é diferente. Para a professora, os reeducandos não são apenas pessoas privadas de liberdade e sim estudantes. Para eles, ela criou a biblioteca “Liberdade do Saber”, copa, jardim, solicitou cadeiras e armários. Todo o imobiliário foi organizado pelos próprios estudantes, sob sua coordenação. “É visível a mudança que ela proporcionou aos nossos alunos. O tratamento humanizado que ela trouxe para a escola nos emociona. Sempre disposta a conversar, a dar conselhos, orientações e palavras de incentivo aos alunos”, diz Adriana Ferreira, professora de língua portuguesa, que se emociona ao falar sobre o amor que Elieser dedica à escola.

Vista como mãe, amiga e confidente, Elieser é motivo de mudança de comportamento de muitos estudantes. “A escola é um pedacinho do mundo dentro do presídio, onde temos a oportunidade de ter momentos de tranquilidade, de estudo, de companheirismo”, fala o estudante E.A.. Foi exatamente esse sentimento que a professora idealizou: transformar a escola em um espaço onde eles pudessem sentir o calor humano, o valor que cada um tem. E é cuidando de um por um, em todas as situações, que ela conquistou cada coração lá dentro. Para o estudante J.A., Elieser é uma mãe. “Ela está presente sempre que nós precisamos, escutando, nos dando conselho e cuidando de cada um como se fosse filho. Me mostrou o quanto é importante o estudo e me deu uma nova chance, uma esperança de ter uma vida digna lá fora”, diz.

Para o coordenador da unidade prisional, Emanuel França, a chegada da professora mudou toda realidade da escola. “Ela foi o fator principal para que a escola tivesse dois momentos, antes e depois dela. Após a sua chegada, conseguimos ver, de fato, a educação efetivada com base nas diretrizes de uma educação de qualidade”, ressalta.

Visivelmente emocionada, a professora leu uma carta que recebeu de um estudante, onde ele agradece todo o apoio e o incentivo para construir uma vida digna quando estiver fora de lá. “Aqui tenho o retorno mútuo de tudo o que realizamos e sempre repito uma frase de Clarice Lispector: ‘Até onde posso, vou deixando o melhor de mim. Se alguém não viu, foi porque não me sentiu com o coração’”, diz com os olhos cheios de lágrimas e um sorriso no rosto.

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